Teaser pronto

22/03/2010

O teaser do documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre” foi finalizado neste fim de semana e já pode ser visto aqui.

Esse teaser está em nosso canal do You Tube, com mais informações a respeito deste trabalho.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Edélcio Pereira Pinto

05/03/2010
Edélcio Pereira Pinto

Edélcio Pereira Pinto

Hoje trazemos trechos do depoimento de seu Dedé para o documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre”. Ele fala do orgulho de morar em uma vila histórica e de suas lembranças de infância em um lugar único na capital paulista.

EDÉLCIO PEREIRA PINTO – 60 anos – morador e “zelador voluntário” da Vila Maria Zélia

Significado de morar na vila

“É morar no paraíso. Minha mãe era cristã sempre falava pra gente procurar ser bom, com a gente e com nossos semelhantes, procurar agir dentro do correto, a gente um dia ia morar lá com Deus no céu, no paraíso. E eu tenho esse privilégio que o Senhor Deus nesta vida já me fez nascer e viver no paraíso”

Um lugar único em São Paulo

“A vila é um lugar único na cidade de São Paulo. A gente parece que está num lugar diferenciado, um lugar que parece que não é em São Paulo, parece uma cidadezinha lá no interior, escondidinha, que mora aproximadamente 600 pessoas e que está fora desse reboliço todo. Pra mim é um ícone da cidade de São Paulo. Por isso tenho tanto apreço, tanto amor, e me dedico tanto à preservação desse local. Não sairia daqui por dinheiro nenhum”.

Lembranças da infância

“A gente não ficava preso como as crianças de hoje que ficam na frente do computador ou jogando vídeo-game. A gente aqui ia na escola cedo e por volta de meio-dia a gente saia da escola, logo que chegava fazia a lição de casa e tinha tarde inteira pra rodar pião, taco, brincar de mãe da rua, pega-pega, brincar de roda com as meninas, peteca, queimada, tinha o rio, tinham dois campos de futebol, quadra poliesportiva. Então lazer pra criançada tinha até que anoitecesse, e às vezes de noite a gente estava jogando bola. E dentro da vila, que sempre foi um condomínio fechado, aqui sempre foi uma grande família, os vizinhos olhavam os próprios filhos dos outros”.

Jorge Street

“Como meu avô falava, Doutor Jorge Street não era um patrão, ele era um pai dos operários. Ele era muito danado, ele era muito inteligente. A turma dizia que ele era comunista, socialista, anarquista, um monte de “ista”, mas meu vô dizia: ‘O ‘ista’ que ele é ninguém fala, ele é humanista”.

Rosaura Amantea do Nascimento

04/03/2010

Rosaura Amantea do Nascimento

Rosaura Amantea do Nascimento

Hoje publicamos trechos do depoimento de Dona Rosaura para o documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre”. Ela traz as memórias de sua mãe que trabalhou na fábrica de Jorge Street e morou nos tempos áureos da vila operária.

ROSAURA AMANTEA DO NASCIMENTO – 76 anos – moradora da Vila Maria Zélia

Como a família chegou na vila

“Aqui só poderia morar quem trabalhava na fábrica. Tanto que meus tios trabalhavam em Sorocaba e eles foram buscar porque precisavam de tecelão. Então só podia morar na Maria Zélia quem trabalhasse na fábrica de sacaria que eles faziam para exportar o café. Então eles vieram todos pra cá. Minha mãe entrou aqui com 8, 9 anos de idade e saiu com 93 anos”.

Família grande = casa maior + mais trabalho

“Tinha que ter um x número de pessoas pra trabalhar e faltava uma pessoa. Então minha avó falou com uma pessoa daqui e puseram na minha mãe um calção de elástico e ela varria pra dizer que tinha o número de pessoas pra ter uma casa maior, porque não podia ter uma casa e ficar amontoado, eles davam a casa de acordo com o número x de pessoas que formava a família. Se você casava era um cômodo, sala e cozinha, se a sua senhora fosse ter um bebê você já ia passar para uma casa com dois dormitórios. Não tinha cama na sala, montoeira no quarto, era tudo bem certinho. Tanto que a da minha vó era uma casa de três dormitórios, sala grande”.

Família Street

“A família Street era um Deus. Todos que moravam aqui adoravam esse casal. Minha mãe endeusava Jorge Street e a Dona Zélia. Tanto que em um evento da imprensa minha mãe encontrou com uma neta dele, que é a Celina, e ficou toda entusiasmada que falou pra ela com tanto orgulho: ‘eu fui operária do seu avô’. Já a Dona Zélia trazia doce todo dia para as meninas, fazia comunhão ela vestia todas as crianças, ela dava tudo. E as filhas da Dona Zélia também se relacionavam com as meninas da vila, elas foram criadas com simplicidade, uma delas brincava muito com ma minha mãe na época”.

Mais um divulgando…

03/03/2010

Olá pessoal.

Visitem o Blog do Herrero. Lá tem um post contando as razões que motivaram a construção deste projeto e a realização deste documentário. O caminho trilhado vem desde 2003: tempos de faculdade e de uma bolsa de projetos da prefeitura.

Tá tudo documentado lá, não deixem de acessar, clicando aqui.

Divulgando…

01/03/2010

O documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre” recebeu uma menção no blog Nota de Rodapé, do jornalista Thiago Domenici. Além de falar do documentário, ele aborda também a nossa luta para obter recursos para viabilizar o projeto.

Para ler a nota basta clicar aqui.

E quem quiser divulgar o nosso trabalho, sugerir algo ou apenas bater um papo, é só entrar em contato, seja pela caixa de comentários aqui do blog ou pelo e-mail: docmariazelia@gmail.com.

Um emocionante dia na vila

22/02/2010

Diretor Daniel Reis entrevista "seu" Dedé - Foto: Rodrigo Herrero
Diretor Daniel Reis entrevista “seu” Dedé – Foto: Rodrigo Herrero

Rodrigo Herrero

Como comentado em nosso twitter, a equipe do documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre” esteve ontem na Vila Maria Zélia para captar imagens e entrevistas para a criação de um teaser, um vídeo de mais ou menos um minuto que resumirá o que pretende ser o projeto. Foram registros de sonhos, histórias, sensações e percepções variadas de um lugar que clama por ser restaurado e por permanecer na lembrança como um dos atores importantes na industrialização da cidade de São Paulo.

Cheguei às 9h da manhã e já pude perceber uma movimentação diferente na vila. Havia gravação de uma propaganda de televisão em frente ao Armazém, com toda a parafernália que esse tipo de trabalho demanda. Mesmo isso não pareceu afetar a tranqüilidade da vila, com suas crianças brincando e pessoas passeando com seus cachorros pela praça, que fica na entrada, e carros entrando e saindo. A missa também transcorreu normalmente na capela de São José, repleta com senhores e senhoras que ainda dedicam suas manhãs de domingo para um reconforto espiritual.

Meu diretor, Daniel Reis, chegou uns 15 minutos depois, enquanto eu lia um trecho do livro da Palmira Petratti sobre a vila, e ficamos batendo papo sobre como conduziríamos as entrevistas, a captação das imagens, enfim, o dia de trabalho. Um tempo depois, a equipe de gravação chegou, com o diretor de fotografia Theo Grahl e o nosso grande assistente de luz, operador de áudio e faz tudo, amigo e parceiro, Giuliano Novi. Após algumas preparações, fomos para a primeira entrevista do dia, que deverá servir de base para o documentário.

E, claro, como não poderia deixar de ser, o entrevistado foi o Edélcio Pereira Pinto, de 60 anos, que, como já dissemos no post anterior, é o “zelador voluntário” da vila, ou “cicerone”, como ele brincou antes de iniciarmos o bate-papo. Trata-se de uma figura rara, apaixonada pela vila como se fosse sua própria vida ali fincada em cada tijolo, parede e teto daqueles antigos casarões.

Ele contou sobre como entrou na luta para defender a Vila Maria Zélia, seu envolvimento diário, enfiado em pesquisas para saber cada vez mais sobre a história da cidadela e de Jorge Street, o responsável por aquele “sonho” ter sido possível e a transmissão desse conhecimento para jovens estudantes que frequentemente procuram-no para saber mais da vila. Ele falou também sobre sua relação e apego que tem com a vila.

“É morar no paraíso A vila é o lugar único que temos em São Paulo. A gente parece que está em um lugar diferenciado. Parece que é uma cidadezinha do interior, de 600 pessoas, mas que tá fora desse reboliço todo. É um ícone da cidade. Por isso tenho tanto apreço, tanto amor, me dedico tanto à preservação daqui”, afirmou, emocionado.

Na seqüência entrevistamos a dona Rosaura Amantea do Nascimento, de 76 anos, moradora desde sempre da vila, mesmo tendo saído para morar nas redondezas: “Me considero com 76 anos de Maria Zélia”, disse. Sua história com a vila é intimamente ligada pela de sua mãe, dona Cinta, já falecida, mas que residia na vila desde seus tempos áureos, tendo trabalhado para Jorge Street na Companhia Nacional de Tecidos de Juta desde os 10 anos.

Ela nos brindou com algumas histórias interessantes dos tempos de sua mãe na fábrica e como ela endeusava Jorge Street e dona Zélia, esposa do empresário, por proporcionar trabalho, moradia e tudo que uma família necessitava à época. “A dona Zélia trazia doces para as crianças que ficavam esperando por ela”, contou. Dona Rosaura também revelou certa amargura com o estado atual da vila e alguma desesperança em ver aquele lugar um dia semelhante ao que já foi: “Eu não sei se vai sair alguma coisa, porque deixou cair muito”.

Após as entrevistas saímos pelas ruas da vila captando imagens para ilustrar as entrevistas, percebendo sons, movimentos, detalhes de uma vila que é um verdadeiro bunker de aparente calmaria e civilidade, em meio a um caos de desordem e sujeira que é seu entorno, o bairro do Belenzinho. O sol estava forte, castigando nossa equipe, que seguiu trabalhando até às 15h30. Pudemos passear também pela parte interna da Escola dos Meninos, que rendeu imagens ótimas e também pelo museu improvisado, captando detalhes da antiga vila, por meio de fotos e objetos da época.

Você pode ver algumas fotos do making of tiradas ontem durante a captação das entrevistas e das imagens. Clique aqui e veja no flickr!

Sessão de fotos na vila

18/02/2010

Um dia de domingo na Vila Maria Zélia - Foto: Theo Grahl

Um dia de domingo na Vila Maria Zélia - Foto: Theo Grahl

Rodrigo Herrero

O documentário está em fase de captação de recursos para que possa tornar realidade a execução deste projeto que envolve um resgate histórico de uma vila tão importante no crescimento de São Paulo no início do século passado.

E nessa fase, a equipe de produção do documentário já está na luta pela captação de imagens, vídeo e entrevistas para compor os materiais de divulgação do projeto, para apresentação às empresas, bem como para atualizar este blog, um canal direto do documentário com você leitor.

No último dia de janeiro, estivemos na vila Maria Zélia para uma sessão de fotos, para que o diretor de fotografia do documentário, Theo Grahl, pudesse captar a alma do local e a idéia que o diretor, Daniel Reis, e o produtor (este que vos bloga), passaram no projeto aprovado na Lei Mendonça. Ao lado de seu parceiro, o fotógrafo Ricardo Carotta, cada um munido de máquina fotográfica profissional, ambos saíram pelas ruas calmas da vila e puderam compreender a importância histórica daquele lugar. Tanto que o desejo era passar o dia todo ali, apenas observando, clicando, respirando, sentindo aquele lugar repleto de história e vida.

A manhã de sol, após dias de chuva intensa e tempo nublado em São Paulo, contribuíram com uma luz incrível a trazer mais qualidade ao trabalho dos fotógrafos. O passeio pode ser completo pela paciência e alegria com que Edélcio Pereira Pinto, de 60 anos, o famoso Dedé, zelador voluntário da vila, nos atendeu: contou  histórias da vila e abriu os edifícios antigos, fechados por estarem interditados com risco de queda, para que pudéssemos fotografar. Enfim, uma manhã bastante agradável para uma primeira parte de um trabalho que está apenas começando.

E o resultado pode ser visto no Flickr, clicando aqui! Lá postamos muitas fotos para você ter a percepção de nosso olhar da vila.

Em breve estaremos novamente na vila para a gravação de um teaser para apresentação a possíveis incentivadores do projeto. E traremos as novidades, com certeza!

Carotta fotografa cachorro cochilando na porta da igreja - Foto: Rodrigo Herrero

Ricardo Carotta fotografa cachorro cochilando na porta da igreja - Foto: Rodrigo Herrero

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui

Para conhecer quem está por trás do projeto, clique aqui

Sobre o documentário

23/01/2010

O documentário audiovisual média-metragem “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre” está em fase de captação, após ter sido pré-qualificado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, nos termos do Edital 2009, referente à Lei 10.923 de 30 de dezembro de 1990, conhecida popularmente como “Lei Mendonça”. Isto significa que tanto pessoas jurídicas como físicas podem apoiar o projeto, basta direcionar 20% do Imposto Sobre Serviço (ISS) ou do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU – SP).

Este projeto  pretende resgatar a história de uma das vilas operárias mais bem sucedidas no Brasil no início do século XX em termos de relação empregador-empregado. Criado pelo empresário Jorge Street, um dos fundadores da Fiesp, o local é um um símbolo do processo de industrialização e da urbanização da cidade de São Paulo do período.

A partir das entrevistas dos filhos e netos dos primeiros moradores, a produção construirá um mosaico de lembranças sentimentais e históricas, além de trazer as impressões atuais de habitantes que chegaram posteriormente. No segundo caso, pessoas que não possuem relação direta com a mítica história da vila operária, mas que podem descrever o presente, ocasionando um paralelo entre o antes e o agora.

O objetivo central deste documentário é resgatar um momento importante da expansão urbana e industrial paulistana, por meio de um patrimônio histórico raro. Afinal, trata-se de uma das últimas vilas operárias que ainda hoje conserva alguns de seus prédios e fachadas originais.

O documentário finalizado será exibido num evento de lançamento na própria Vila Maria Zélia, com a realização de um debate sobre a obra, além de exibições gratuitas nas instituições de ensino da região do entorno da vila, nos Centro de Ensino Unificado (CEU) e em Cineclubes. Cópias de DVDs serão enviados para instituições como: escolas, bibliotecas, universidades, IPHAN, CONPRESP e CONDEPHAAT.

Como forma de divulgação, além de contar com serviços de assessoria de imprensa, o projeto contempla a criação de um site e de um blog, interagindo com as mais diversas mídias sociais para documentar cada passo da produção, edição, finalização e exibição do documentário.

Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre

Produtora responsável: Videologia Comunicação LTDA – EPP
Responsáveis: Daniel Reis e Rodrigo Herrero
Telefones: 5031-8225 (escritório)/ 9547-6166 (cel. Daniel)/ 9462-8154 (cel. Rodrigo)
E-mail: docmariazelia@gmail.com

Fotos no Flickr

13/01/2010

Está criado o canal no Flickr do documentário “Vila Maria Zélia: histórias de uma São Paulo de ontem, hoje e sempre”.

Para acessá-lo e conhecer um pouco mais sobre esta vila operária de grande contribuição para São Paulo você deve acessar o seguinte endereço:

http://www.flickr.com/photos/docmariazelia ou clique aqui.

Para conhecer o projeto, clique aqui.

Celina Maria Bacellar Monteiro

13/01/2010

Celina Maria Bacellar Monteiro

Celina Maria Bacellar Monteiro

CELINA MARIA BACELLAR MONTEIRO – neta de Jorge Street

Representatividade da Vila Maria Zélia na sua vida

“O fato da minha mãe, dos meus tios comentarem sempre da vila, de eu ver as fotografias, é uma coisa muito presente pra mim, vamos dizer uma presença virtual, porque eu não conheci, a vila no tempo em que era vila operária, mas ela tem uma presença importante na minha vida e foi pela história da vila e do que meus avós fizeram por ela. Eu acho que a história da vila está ligada a história dos meus avós. A admiração que eu tenho por eles em grande parte é pelo que eles fizeram, pelo trabalho social que eles realizaram na vila Maria Zélia”.

Sobre Jorge Street – avô

“Pra mim eles eram meus avós. O meu avô, mais que minha avó, depois que morreu acho que ele foi um pouco transformado em mito, porque falava-se muito dele, saiu muita notícia do jornal, na família criou-se uma auréola em torno dele. Mas pra mim ele era o meu avô, uma pessoa assim que eu queria muito bem, que eu admirava, o tempo que eu morei com ele, era um misto de afeto e respeito, ele não era uma pessoa que afastava, um ícone, pra mim ele era acessível, era muito irônico, ele fazia muita brincadeira, muita piada”.

Sobre Zélia Street – avó

“A minha avó era uma figura admirável, não havia quem não gostasse dela, uma pessoa de uma bondade, de um acolhimento. Ela era super dedicada, ela tinha amor pelos operários, a mesma enfermeira que cuidava do berçário cuidou do seus netos todos, quando nasceram”.

Conservação e memória da vila

“Acho a memória uma coisa importante que aqui no Brasil a gente negligencia muito isso, né. Acho que ainda tem algumas casas que conservam a arquitetura original, acho que se pudesse guardar uma ou duas de exemplo acho que seria muito bom”.

Lembranças

“Uma das primeiras vezes que eu fui visitar a vila eu vi aquelas árvores [na entrada] que minha avó plantou e eu tive a sensação de presença dela, eu acho que uma presença espiritual dela que permanece e um fato que eu soube é que [na vila] eles ainda mandam rezar uma missa ao meu avô no aniversário dele em 22 de dezembro e no aniversário da minha avó que é 4 de abril. Na igrejinha lá eles ainda rezam nessas datas, isso pra mim é um marco”.


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